BREVE FORTUNA CRÍTICA

​Pequena seleção de críticas publicadas no Brasil e no exterior

 

Ricardo Rocha, "The Magical Sound-Sorcerer”

Com este título, seguido de “World ambassador for the classical music of Brazil”, a revista trimestral européia “Drive”, com edições em inglês, francês e alemão, dedicou-lhe uma página inteira, com fotos frente à Orquestra Sinfônica de Bamberg, biografia e reportagem (jan/2001).

 

Alemanha

Suhl, Stravinsky e Lalo:  "Rocha mostrou principalmente a excelência técnica de sua regência, o que já não é pouco numa obra como Petruska, com suas complexas mudanças de tempo e andamento (...), Como se não fosse suficiente, presenciamos uma perfeita realização dos diversos efeitos instrumentais, particularmente a refinada exploração de determinadas colorações sonoras, onde poucas alusões bastavam para visualizarmos plasticamente as coloridas cenas de dança. Tudo contribuiu para a impressão geral de pleno sucesso do concerto."

 

(Wolfram Klante, jornal Freies Wort, Suhl, 18/10/2002)

 

Gotha, Stravinsky e Lalo: "O brasileiro Ricardo Rocha libertou a Filarmônica da Turíngia" (subtítulo da crítica intitulada "Sensação musical dos opostos")

"...Da veemente paixão de seus gestos (em Lalo), ele agora (em Stravinsky) liberta a orquestra com sugestiva linguagem corporal, produzindo um verdadeiro êxtase sonoro, no qual as citações e as linhas solistas ganharam destaque e puderam ser ouvidas."

 

 (Thüringen Zeitung -TLZ, em 19/10/2002).

 

Suhl, Lutoslawski, Gershwin e Villa-Lobos:

 "O público recebeu cada um daqueles quadros sonoros (...) e aplaudiu tempestuosamente. O regente brasileiro Ricardo Rocha mostrou-se um excelente conhecedor destas obras. Sua técnica é precisa e energicamente dominante, sem cair naquela caricatura do 'virtuoso do pódio’ treinado. Tecnicamente foi quase tudo perfeito e musicalmente configurado (...) por Rocha num todo."

 

(Klaus Morgenstern, no "Freies Wort", com a Orquestra Filarmônica da Turíngia, sobre programa com, em 14/1/2000).

 

München -  “No concerto (...) brilhou principalmente o regente”

(Süddeutsche Zeitung, crítica intitulada ”Um penetrante olhar nos olhos”, sobre o concerto com a O. Sinfônica de Bamberg no tradicional Cuvilliés Thather’, Munique, em 27/11/2000)

 

Erlangen - "Numa fulminante explosão de cores e sons, Rocha, tal qual incendiário, levou a atmosfera à mais alta temperatura, tendo a orquestra reagido com bem disposta precisão"

 

(Anja Barckhausen no 'Erlanger Nachrichten', com a Orquestra Sinfônica de Bamberg em Erlangen, em 28/11/2000)

 

Baden-Baden “O regente mostrou que está em condições de apresentar uma vasta paleta de interpretação. (...) Rocha sabe como conduzir seus músicos, com técnica leve e discreta. Percebe-se que aqui está um músico que domina, ele próprio, alguns instrumentos (...) Regente e solistas foram entusiasticamente aplaudidos”.

(Rudolf Köppler, no jornal ‘Badische Neueste Nachrichten em 21/6/91)

 

Karlsruhe. “Neste seu último concerto ficou claro que Rocha persegue quase que um ideal missionário, este de corrigir, aqui em nosso país, o clichê de que Brasil é só samba e carnaval. (...) No final, muitos aplausos, mas pena que nenhum bis.” (Bernd Willimek, em Karsruhe, sobre os concertos do ciclo “Brasilianische Musik im Konzert” – BNN, 9/2/93)

 

Gotha. “(...) O desempenho sem reservas do regente, dirigindo concentrada e sugestivamente, e da orquestra, que o seguiu com precisão, foi premiado com muitos aplausos”.

(M.S.T. no jornal “Thüringen Landes Zeitung, em 15/1/2000)

 

Meiningen.  “Ricardo Rocha soube muito bem interpretar esta obra (Villa-Lobos) desenhando de forma extraordinária a curva de tensão do primeiro (...) ao quarto movimento (...)"

(Franziska Scherzer no jornal “Meininger Tageblatt”, em 15/1/2000)

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Brasil

Luiz Paulo Horta, RJ – membro das Academias Brasileira de Música e de Letras sobre a Primeira Sinfonia de Brahms no Theatro Municipal do Rio de Janeiro

1) Sobre a PRIMEIRA SINFONIA, em dó menor opus 68, de BRAHMS, com

a ORQUESTRA BRACHIANA BRASILEIRA , no Theatro Municipal do RJ

Resumo:

 “Como é que se faz crítica musical? Quando há problemas evidentes, é fácil. Você diz que a cantora desafinou, que o timpanista excedeu-se etc. Mas, e quando tudo dá certo e esbarramos no milagre da grande arte? Um caminho razoável é dizer que o intérprete foi fiel à partitura. (...). Mas surge então outro problema: nem tudo está escrito. É preciso dar vida e músculo à partitura. (...).

Escrevo tudo isso pensando na interpretação da Primeira Sinfonia de Brahms pela Cia. Bachiana Brasileira, dirigida por Ricardo Rocha no Teatro Municipal. (...) O que o maestro Ricardo Rocha conseguiu deveria ser imediatamente gravado. É um Brahms “passado a limpo” que, talvez por causa disso, aparece com uma força estonteante.  Naquele velho dilema Toscanini x Furtwängler (...) acho que Ricardo seria mais Toscanini. A marcação é despojada, deixa que a energia ali contida venha à tona por si mesma. (...) de grau em grau, sem forçar nada, o maestro deixa espaço para as grandes perorações finais, que chegam como uma força da natureza. Isto só se consegue com infinito trabalho, com a colaboração dos músicos, com uma atenção filigranática aos detalhes de dinâmica e fraseado.  Depois de tudo feito, parece fácil, quase óbvio.  Vá alguém fazer!”     

Jornal O Globo de 13 de outubro de 2008)

2) Sobre a  cantata profana CARMINA  BURANA, de CARL ORFF:

 “Toda obra de arte importante traz em si alguma coisa de misterioso. Por exemplo, a ‘Carmina Burana’ de Carl Orff, que ouvimos sexta-feira em versão esplêndida dirigida por Ricardo Rocha. (...) Numa Sala Cecília Meireles lotada, a performance correu num crescendo de eletricidade. Ricardo Rocha conduzia tudo com mão firme, dosando bem os efeitos, a dinâmica tão importante. Teve de bisar todo o trecho final”

 (Jornal O Globo, Rio, 10 de março de 2008)

 

3) Sobre UM REQUIEM ALEMÃO, de  BRAHMS

 “O ‘Requiem’ de Brahms realizado sábado na Sala Cecília Meireles superou as expectativas dos que já conheciam o excelente trabalho da Cia. Bachiana Brasileira. esta grande obra do romantismo germânico apareceu em toda a sua dignidade, graças à atuação igualmente competente do coro e da orquestra. (...) À frente dos conjuntos o maestro Ricardo Rocha administrou com segurança as complexidades desta obra formidável. Ele tinha sob sua direção forças musicais consideráveis, mas não se deixou levar por essa força, conduzindo com mão de mestre um discurso musical empolgante”.

 

 (Jornal O Globo, Rio, 23 de abril de 2007)

 

4) Com  a ORQUESTRA SINFÔNICA  BRASILEIRA , no Theatro Municipal do RJ

 “Tocando no Teatro Municipal sob a regência de Ricardo Rocha a Orquestra Sinfônica Brasileira mostrou boa consistência sonora no segundo concerto da sua Série Noturna, que apresentava como solista o pianista Mark Zeltser. (...) Rocha mostrou condições de motivar a orquestra e conseguiu bons resultados em Prokofiev e Villa-Lobos. (..) A execução caracterizou-se sobretudo por uma grande unidade de tom e ritmo. A Sinfônica esteve bem e a reação do público foi entusiástica.”

 (Jornal O Globo, Rio, 3 de junho de 1998)

 

Mário Tavares, Maestro Titular da Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro por 30 anos

"Ao conhecer o maestro Ricardo Rocha causou-me forte impressão a sua grande capacidade de trabalho, expressa não apenas na qualidade e na quantidade dos resultados que obtém, mas também na clareza e no refinamento de suas intenções musicais, no conhecimento do métier profissional e na enorme disciplina mental e musical que transparece de suas atuações.  (...) o maestro Rocha é hoje um dos mais proeminentes regentes de sua geração no Brasil, a quem vem prestando inestimáveis serviços no exterior(...). Por seus extraordinários talentos(...), recomendo-o aos

melhores conjuntos de nossa contemporaneidade, na certeza de estar indicando um profissional para trabalhos e realizações com altos níveis de excelência.”.

(Em carta de recomendação escrita em 8 de setembro de 1997.

 

Com  a ORQUESTRA SINFÔNICA  DE MINAS GERAIS, no  Palácio das Artes, Belo Horizonte

J. Carlos Buzelin, consagrado crítico de Belo Horizonte

 “No Palácio das Artes, as bruxas, que andavam soltas, foram caçadas. Assim a Orquestra Sinfônica de Minas Gerais reconquistou patamar de qualidade, registrando um de seus melhores momentos, sob a esplêndida regência de Ricardo Rocha. (...) Afinação, precisão, sonoridade, enfim, tudo que se espera de uma boa orquestra pôde ser constatado (...) em todos os sentidos, muita emoção. Aplausos calorosos do público e da crítica. Bravos!”

(Jornal Hoje em Dia, Belo Horizonte, 4/9/1995)

FACEBOOK

Edino Krieger: Resenhas e críticas

1) A TRANSFIGURAÇÃO MUSICAL DO SÉCULO XX
Orquestra Bachiana Brasileira
Concerto em 20 de maio 2017 na Sala Cecília Meireles
Regência: Maestro Ricardo Rocha
Nikolay Sapundjiev, violino
Obras de Schönberg, Stravinsky e Arvo Pärt

Publicado em em 25 de maio de 2017

O concerto da Orquestra Bachiana Brasileira se inscreve, desde já, entre os eventos musicais mais memoráveis não apenas desta, mas de todas as temporadas da Sala Cecília Meireles. Foi fascinante a belíssima execução da Noite Transfigurada de Arnold Schönberg, a mais perfeita que já ouvi, ao vivo e em gravações. A justeza absoluta da afinação das cordas e a expressividade da progressão das frases deram à execução o sentido revelador de uma primeira audição. 
Admirável também a execução do difícil Concerto em Ré de Stravinsky, repleto de contrastes rítmicos e dinâmicos, realizados com absoluta segurança e domínio.
E a bela obra de Arvo Pärt, complexa em sua estrutura matemática e extremamente simples em seu resultado sonoro, em seu minimalismo harmônico.contribuiu para transformar numa noite inesquecível, felizmente testemunhada por um numeroso público, que já se habituou em confiar na programação da Orquestra Bachiana Brasileira, que leva a marca da sua direção exigente, firme, competente e meticulosa. Parabéns.

Edino Krieger

2) A ESCOLA DE MANNHEIM: Um concerto memorável!

Foi mais do que um simples concerto, o programa que a Cia.Bachiana Brasileira dedicou à Escola de Mannheim, na Sala Cecília Meireles, na última quinta-feira, 30 de abril. 
Foi um acontecimento marcante da temporada, pela qualidade da execução, de nível internacional, e o apuro estilístico que o Maestro Ricardo Rocha atingiu nas obras dos três maiores representantes do classicismo que são Haydn, Stamitz e Mozart. Impressionou-me, sobretudo, a belíssima execução desse monumento que é a Sinfonia Júpiter de Mozart, valorizada em cada detalhe de sua maravilhosa estrutura formal e seu conteúdo expressivo.

Foi a melhor versão da Júpiter que já tive oportunidade de ouvir!

Parabéns ao Maestro Ricardo Rocha e seus excelentes músicos.

 (Publicado no  Facebook em 1 de maio de 2015, no  mural de Edino  Krieger)

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3) A INTEGRAL DO ORATÓRIO DE NATAL, DE BACH,

Sobre o concerto de hoje pela manhã no Theatro Municipal do Rio de janeiro  (9 de dezembro de 2012), "Oratório de Natal", de J.S.Bach, sob a regência de Ricardo Rocha, Edino Krieger escreveu: 


"Caríssimo Ricardo,

Obrigado pelo belíssimo concerto, um maravilhoso presente de Natal para os que lá estavam, para o Theatro Municipal do Rio de Janeiro e para a cidade. Só você com sua competência, sua persistência, sua coragem e sua dedicação poderia realizar uma proeza como essa, superando dificuldades como um verdadeiro guerreiro da música. 
Admirável a alta qualidade que você obteve com seus excelentes instrumentistas, coro e solistas nota 10 (o belíssimo tenor me lembrou Aldo Baldin e o excelente trompete em ré foi para mim uma revelação). Enfim, um Bach para ficar na lembrança como o de Karl Richter. Com certeza o concerto de hoje vai ficar na memória como um dos pontos mais altos da temporada e um merecido troféu para os seus 30 anos de uma brilhante carreira. Forte abraço com admiração,

Edino”

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Ricardo Tacuchian, 12 de dezembro de 2012

“Ricardo Rocha, fiquei impressionado com o excelente resultado que você conseguiu na montagem do Oratório de Natal de Bach, tendo que vencer tantas dificuldades para uma montagem como esta. Saí mais leve do Theatro Municipal ao assistir esta obra máxima do repertório universal.

Você mostrou coragem, competência e arrojo. Como importante centro cultural, a cidade do Rio de Janeiro ficou mais enriquecida ainda, com esta apresentação soberba.

O Natal já começou.

E parabéns pelos seus 30 anos de brilhante carreira como regente.”

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ROCHA SÓLIDA E IMPRESCINDÍVEL

Escrito por Fabiano Gonçalves em 11 dez 2012 nas áreas Crítica

Maestro Ricardo Rocha e Cia. Bachiana Brasileira levam ao Municipal do Rio íntegra do Oratório de Natal, de J. S. Bach.

Para que se faz música? Com qual razão e para qual objetivo? Para que compositores, ao longo de séculos e por variados estilos, dedicam-se a agrupar sons e silêncios? A fim de que músicos, de não importa que nacionalidades ou raças, deitam arcos, dedos e lábios sobre tão diversos instrumentos? Que motivação faz com que cantores sintam gotas de suor correndo-lhes pelas costas enquanto acionam diafragmas e cordas vocais para produzir som e sentimento com a emissão do ar de seus pulmões? E o maestro, o que o faz dançar diante de uma orquestra e dela arrancar música e, do público, lágrimas?

O cineasta Joaquim Pedro de Andrade afirmou, à publicação francesa Libération, em 1987, que fazia cinema, entre outras razões, “para chatear os imbecis”. Mas, além desse, que mistérios levam um artista à criação? Desejo de eternidade? Vontade de transformar o mundo? Intento de suscitar “terror e piedade” aristotélicos? Ou simplesmente por um impulso irrefreável, qual mariposa atraída pela luz fatal? Este crítico não tem ganas filosóficas de Nietzsche ou Santo Agostinho, mas acredita que o poder criador que emana de tantos seres especiais chamados artistas tem por lema elevar os imbecis – e todos os outros – a uma condição mais elevada de existência. Ou ainda, segundo outra razão apontada por Andrade em sua resposta à pergunta “por quoi filmez-vous?”,“porque, de outro jeito, a vida não vale a pena”.

Valeram a pena os hercúleos esforços da Cia. Bachiana Brasileira, orquestra e coro, e seu maestro Ricardo Rocha para tirar das quase 200 páginas do Oratório de Natal – Weihnachtsoratorium, de Johann Sebastian Bach, cerca de três horas da música mais celestial jamais composta por um homem para que a vida alcançasse aquele átimo de segundo em que tudo faz sentido. Compostas para serem apresentadas nas festas natalinas de 1734/35, as seis cantatas que formam esse oratório têm envergadura monumental e exigem se seus intérpretes preparo de maratonista.

Bachiana nas alturas!

 

Site MOVIMENTO.COM

O concerto apresentado pela Cia. Bachiana no dia 9 de dezembro teve, naturalmente, pontos altos e baixos, mas as ovações e os aplausos em pé do público do Theatro Municipal do Rio de Janeiro foram merecidíssimos. Em primeiro lugar, pela entrega de maestro, instrumentistas e cantores ao penoso e sublime trabalho de montar a superlativa peça. Vem à mente a imagem de um comercial de uísque, no qual o Pão de Açúcar ganha vida e, pesada e compassadamente, levanta-se e caminha pela Cidade Maravilhosa, para espanto dos incautos.

Com trabalho sério e metódico, o maestro Ricardo e a regente assistente Danielly Souza prepararam o coro de 40 belas vozes para as impecáveis intervenções do grupo. A orquestra responde à altura, com participações, no geral, irretocáveis – especialmente da organista Elisa Wiermann; do oboísta Jorge Postel-Pavisic; da fagotista Ariane Petri; dos trompetistas Fábio Brum, Gabriel Dias e Wellington Moura; e do percussionista Lino Hoffmann, entre tantos talentos. Se o coro mostrou a que veio particularmente na Cantata II (Und es waren Hirten in derselben Gegend), os instrumentistas superaram-se com graça na sinfonia que abre a mesma peça.

Nos solos, o ponto alto foi o Evangelista do tenor André Vidal, cantor talhado à perfeição para interpretações barrocas, com seu timbre límpido e sua emissão impecável. O barítono Marcelo Coutinho também demonstrou talento e bela voz em suas partes. O contralto Noeli Mello levou sua primeira intervenção com pouco brilho, mas cresceu nas participações posteriores. Também integrante do coro, o soprano Michele Ramos apresentou-se com segurança e deixou fluir com fluorescência sua voz angelical. Merecem menção ainda os demais integrantes do coro que fizeram intervenções solistas, como o mezzo Hélida Lisboa, o tenor Diogo Oliveira (de bonito timbre, ainda que um tanto aberto, mas cuja participação perdeu-se ritmicamente) e o soprano Laila Oazem, simplesmente perfeita como eco na Cantata IV (Fallt mit Danken, fallt mit Loben).

À frente desse grupo de talentos, o maestro Ricardo Rocha, homem de erudição e perfeccionismo musicais, cujas três décadas de árduo trabalho foram celebradas com este belíssimo concerto. Que nesta data comemorativa, caro maestro, seja firmado seu compromisso indispensável de manter-se ativo e produtivo, presenteando o público brasileiro com suas execuções brilhantes, por, pelo menos, mais três décadas. Vida longa à Cia. Bachiana Brasileira!     

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CIA BACHIANA ESTREIA NA ÓPERA

Escrito por Antônio Rodrigues em 22 mar 2014 nas áreas Crítica, Lateral, Movimento

 

Hoje, 21 de março, tive o prazer de assistir à ópera “Cavalleria rusticana”, de Mascagni, pela Cia Bachiana … isso mesmo… Cia Bachiana.

Você estranhou? Aposto que sim, pois esse não é o tipo de espetáculo que este grupo apresenta normalmente. A escolha do título, a meu ver, para iniciar um novo capítulo, foi boa. É uma ópera pequena e, apesar de não ser o ideal, por falta de fosso para a orquestra, o espaço do palco foi muito bem aproveitado.

 

A orquestra, bem exígua, como sempre bem levada pelo maestro Ricardo Rocha, ocupou pouco menos da metade do palco. No restante do espaço, a trama se desenvolveu a contento, fazendo com que a plateia entendesse perfeitamente o enredo desenvolvido pelo autor.

 

A direção cênica de Luiz Duarte aproveitou bem o espaço, sem invenções esdrúxulas que só fazem atrapalhar o espectador. Além do mais, lançou mão de utilizar algum espaço da plateia para colocar ou fazer passear o coro. Os letreiros ajudaram bastante a compreensão, para quem nunca tivesse assistido a essa ópera.

Confesso que não conheço os cantores de outras obras de que tenham participado, mas isso não foi problema para eles. O início de Rinaldo Leone (Turiddu) e Clarice Pietro (Santuzza), a meu ver, foi um tanto nervoso, com algum esforço para cantar e um pouco travados na parte cênica. No entanto, as coisas entraram nos eixos rapidamente e o canto e a atuação correram sem problemas.

Hellen Maximiano (Mamma Lucia) esteve bem, assim como Ciro d’Araújo (Alfio) que, ao entrar em cena, também estava pouco nervoso, logo se acertando. Carla Odorizzi (Lola), desde que apareceu cantando, o fez bem e tranquilamente, mas o seu papel estava longe de ser dramático, o que facilitou bastante.

 

O coro, forte da Cia Bachiana, não podia decepcionar e não decepcionou. O público, contei por volta de 150 pessoas, gostou e aplaudiu bastante, demonstrando que o desempenho esteve bem a contento, como disse antes.

Quem acompanha nosso site, deve ter lido as invectivas de Leonardo Marques contra a programação de óperas do Teatro Municipal do RJ. Esta estreia da Cia Bachiana é alvissareira, ou melhor, muito alvissareira. Sei que o maestro Ricardo Rocha gosta de fazer as coisas bem feitas e esperamos também que esta montagem seja apenas a primeira de muitas.

 

Nunca é demais frisar que o espaço não é o mais adequado, mas a Cia Bachiana precisava estrear e o fez muito bem, apesar das dificuldades. Também, inteligentemente, começou devagar, pois, assim, pode ir longe.

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Crônica de BARBARA SEUFFERT, escritora alemã

no seu Diário de Viagem ao Brasil, em 27 de julho de 2003,  publicado no site da editora que dirige, a ‘Luazul Verlag Hagen Seuffert (Alemanha-Portugal): www.luazul.com  - sobre a Primeira Sinfonia de Brahms e outras obras

ORQUESTRA SINFÔNICA BRASILEIRA , na Sala Cecília Meireles

Resumo:

 “Na Sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro, o público – festivo e bem vestido - estava tomando os seus lugares, enquanto a numerosa “Orquestra Sinfônica Brasileira” afinava seus instrumentos.(...)  

O regente com sua casaca preta subiu ao pódio e foi saudado alegremente. O nosso coração pulava de alegria. Mas ele iria pular mais ainda, e ele pulava justamente como o regente, cheio de temperamento, na primeira obra, com o título “O Guaratuja” de um Alberto Nepomuceno. Sim, o maestro mexia e movimenta-se fogosamente, acompanhava a música de uma maneira que as asas da casaca voavam. (...)

Era uma música apimentada e cheia de ginga, envolvente e divertida, completamente nova para os nossos ouvidos,– apesar de não fazermos a menor idéia do que poderia vir a ser um “Guaratuja”. (...)

Tempestuoso aplauso.

Seguiu-se o concerto para violino de Max Bruch. (...) Era uma obra que “entrava debaixo da pele”, fazia transbordar o coração e levava muita gente às lágrimas. Envergonhada, eu olhava meio escondida os outros à minha volta. Mas as damas ouvintes e aquele senhor lá – eles também choravam. (...)

 

A platéia assistia devotamente e sem respirar. Então todos levantaram e bateram palmas e gritaram bravo! e bateram palmas sem parar, expressando o seu entusiasmo. E não escondiam sua gratidão, sua alegria e comoção. Impressionante. Para mim, totalmente incomum. O que eu estava sentindo e pensando?

 

Depois do intervalo tocaram a Primeira Sinfonia de Johannes Brahms. A Sala explodiu de entusiasmo. Era de se temer que a multidão subisse e invadisse o palco para abraçar e beijar o maestro lá em cima. (...)

Seguimos a direção do público, que saiu da Sala e entrou numa rua lateral. Lá ficava a entrada para o palco, onde também estava o maestro, rodeado por seus fãs e amigos.
Que pessoa mais admirável! Todos os elogios e manifestações de agradecimento ele recebia com simplicidade, respondendo atenciosamente a todas essas palavras verdadeiras, sendo abraçado e saudado com mil beijos. (...)

Como disse Zweig? “Brasil – um país do futuro.” (...)

Meu irmão musical me mandou – um pouco surpreso com o meu novo e reacendido entusiasmo - um CD com os dois concertos. Eu ouvia e comparava e achava a versão européia tão mais curta, afinal, a gente tinha assistido a peças muito maiores. “No CD faltam alguns movimentos”, escrevi.

Obviamente não estava faltando nada. Simplesmente é uma música completamente diferente. Nesta noite, sob a direção de Ricardo Rocha, ouvi algo diferente, algo bem especial, extraordinário, se vocês bem me entendem.”

 

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